sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Talvez...


"TALVEZ não pareça, mas eu amei mais do que pude, perdoei mais do que devia, sonhei além da conta e insisti em causas perdidas como se houvesse um jeito de mudar alguns finais. Talvez você nem imagine, mas eu fui para vários lugares em que me senti mais confortável no trajeto do que quando cheguei ao destino. Já me fiz de míope, três vezes mais míope, dez mil vezes mais míope. Me fiz de surda, muda e louca. Menti. Parei de mentir quando virei vítima de mentiras e me encontreicompletamente humana. Fracassei, dancei, cantei, beijei quem não devia, liguei na hora errada, aceitei desculpas esfarrapadas, recusei amor e me arrependi. Implorei amor e me arrependi. Voltei atrás e me arrependi. Até me arrepender de me arrepender tanto e deixar tudo fluir, simplesmente. Então, se eu deixasse de existir amanhã - ou daqui a pouco, saberia que fui a melhor e a pior das minhas versões. Que não tive meio termo. Que não fui mais ou menos. Foi intenso, verdadeiro. Tudo certo então, amém."

(Camila Heloise)

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